O Departamento de Segurança Interna, o DHS, passou a trabalhar para identificar não cidadãos que tenham se registrado para votar e encaminhar esses casos para investigação migratória. A política representa uma mudança importante porque, segundo especialistas ouvidos pelo New York Times, administrações anteriores não costumavam transformar automaticamente esse tipo de registro em prioridade de deportação, especialmente quando havia indícios de que a pessoa havia sido registrada por engano.
Pela legislação americana, não cidadãos não podem votar em eleições federais. O registro para votar também pode trazer consequências graves para um imigrante, inclusive no processo de imigração e de naturalização. A nova estratégia do governo Trump ganhou força depois que o DHS anunciou, em julho, que havia encontrado mais de 250 mil potenciais não cidadãos nos registros eleitorais de quatro estados: Califórnia, Nova Jersey, Nevada e Pensilvânia.
O maior número foi registrado na Califórnia, com uma estimativa de 190.832 pessoas. Em Nova Jersey, foram apontadas 35.152; em Nevada, 15.903; e na Pensilvânia, 14.576. Os números foram apresentados pelo DHS como resultado de análises preliminares. Mas há uma questão fundamental: estar registrado não significa, necessariamente, ter votado.
O próprio material divulgado pelo governo não apresentou evidências de que todas essas pessoas tenham efetivamente participado de uma eleição. Também não explicou detalhadamente como chegou aos números.
