Apesar da redução no desmatamento observada nos anos mais recentes, no acumulado dos últimos 41 anos o Brasil viu sua cobertura de vegetação nativa cair de 79% para 65% entre 1985 e 2025.
A pesquisa realizada pela Coleção 11 dos mapas anuais de cobertura e uso da terra do Brasil do MapBiomas foi divulgada nesta quarta-feira (12), e revela uma paisagem em que áreas naturais continuam a ser reduzidas em detrimento dos usos antrópicos e ficam expostas aos efeitos de extremos climáticos, como secas e enchentes - fenômenos agravados em anos de El Niño.
Os dados históricos de precipitação mostram que os biomas brasileiros têm registrado secas ou chuvas cada vez mais intensas em anos com El Niño de maior intensidade, como o que se espera em 2026.
A comparação dos dados da série histórica de cobertura e uso da terra do MapBiomas com as anomalias de precipitação entre os meses de setembro e novembro durante três eventos recentes de forte El Niño (1997, 1998, 2015, 2016, 2023, 2024) revela que a redução de chuvas vem se agravando, com exceção do Pampa e da região sul da Mata Atlântica, onde há um aumento da precipitação.
A Amazônia apresentou o maior déficit de precipitação entre os biomas nos três eventos de El Niño analisados. No último El Niño, a maior redução de chuvas foi observada nas áreas de agropecuária no bioma Amazônia. No Cerrado e na porção norte da Mata Atlântica, a seca se acentua a cada novo evento de El Niño, principalmente nas áreas de vegetação nativa.
