A população negra continua sobrerrepresentada no sistema prisional brasileiro. Em 2025, pessoas pretas e pardas correspondiam a 69,6% dos presos do país, embora representassem 56,3% da população brasileira, segundo o relatório 2026 do Observatório Brasileiro das Desigualdades. A diferença significa que a representação de negros nas prisões é 24% superior ao seu peso demográfico.
O levantamento, elaborado pelo DIEESE e divulgado pelo Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades, aponta um “leve agravamento” do cenário. O índice de sobrerrepresentação passou de 1,21 em 2024 para 1,24 em 2025. O indicador compara a participação de negros na população prisional com sua participação na população brasileira, quanto mais distante de 1, maior a desigualdade.
O estudo reúne informações do Sisdepen, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, e da PNAD Contínua, do IBGE. São consideradas negras as pessoas autodeclaradas pretas e pardas.
Sul tem a maior sobrerrepresentação
A sobrerrepresentação de negros no sistema prisional foi registrada em todas as regiões do país, embora com intensidades diferentes. O Sul registrou a maior razão em 2025, de 1,5, seguido pelo Sudeste, de 1,4. Norte (1,1), Nordeste (1,2) e Centro-Oeste (1,2) apresentaram os menores índices.
O levantamento identifica um padrão consistente: quanto menor é a participação de pessoas negras na população de uma região, maior tende a ser sua sobrerrepresentação no sistema prisional.
