A expansão dos sistemas de armazenamento de energia e o avanço da infraestrutura digital, especialmente dos data centers, devem abrir novas frentes de investimento no setor elétrico brasileiro nos próximos anos. A avaliação é de Julio Meirelles, responsável pela cobertura setorial de energia na divisão de project finance do Santander.
Na visão do executivo, o armazenamento de energia desponta como uma das principais oportunidades por oferecer uma resposta ao crescente descompasso entre os momentos de maior produção e de maior consumo de eletricidade no país. Com a expansão das fontes renováveis, sobretudo solar e eólica, aumentou a necessidade de tecnologias capazes de armazenar energia em períodos de excesso de oferta e disponibilizá-la quando a demanda cresce.
“O primeiro é o mercado de armazenamento de energia. A tecnologia é necessária para o problema de desbalanceamento de oferta e demanda no Brasil e as baterias vêm para resolver. A tendência é que isso seja implantado rapidamente e em escala. Então haverá bastante investimento alocado nisso”, afirma Meirelles.
O setor já se prepara para a entrada dessa tecnologia em maior escala. O Brasil prevê realizar em dezembro seu primeiro leilão voltado a sistemas de armazenamento por baterias. O interesse dos investidores é elevado: a EPE (Empresa de Pesquisa Energética) registrou cerca de 300 GW em projetos cadastrados, volume que sinaliza forte competição entre os empreendimentos interessados em participar da disputa.
