O governo da Bahia vendeu por R$ 15 milhões, em 2018, a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), estatal que administrava a rede de supermercados Cesta do Povo.
Nos sete anos seguintes, o Estado gastou R$ 93 milhões para pagar dívidas relacionadas à empresa. O valor é 6,2 vezes superior ao obtido com a privatização. Os dados foram levantados pelo site Poder360 a partir de informações do portal Transparência Bahia.
PT e o programa de crédito a servidores
A venda ocorreu durante o governo de Rui Costa (PT), atual ministro da Casa Civil, depois de duas tentativas frustradas de privatização, em 2016 e março de 2018, ambas com preço mínimo de R$ 81 milhões.
Na terceira tentativa, o governo reduziu o valor e incluiu no negócio o Credcesta, programa de crédito destinado originalmente a servidores públicos estaduais. A Ebal acabou arrematada por R$ 15 milhões.
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O cartão de crédito consignado se tornou o principal atrativo da privatização. O comprador recebeu exclusividade de 15 anos para operar o Credcesta entre os servidores estaduais e autorização para que os funcionários comprometessem até 30% do salário líquido com o produto. Como as parcelas eram descontadas diretamente da folha, o risco de inadimplência era muito baixo.
Pouco depois da privatização, o Credcesta deixou de ser apenas um cartão para compras e passou a oferecer empréstimos em dinheiro.
