Diego Maradona apresentou “sinais de alerta” que foram ignorados durante o tratamento domiciliar que recebeu antes de falecer, de acordo com um testemunho feito nesta terça-feira em audiência do julgamento pela morte do ídolo argentino em 2020.
“Havia sinais de alerta: edema nos membros inferiores, edema nos dedos, ronco, falta de ar e sinais de hipertensão e taquicardia”, disse o médico legista Carlos Cassinelli.
O especialista foi convocado como testemunha no julgamento que acontece em San Isidro, ao norte de Buenos Aires, na qualidade de membro de uma junta médica interdisciplinar constituída em 2021 a pedido da promotoria.
Com mais de 20 especialistas, a junta analisou prontuários, estudos médicos, depoimentos de testemunhas e mensagens incorporadas aos autos do processo para reconstruir o estado de saúde de Maradona.
Cassinelli disse que “ninguém foi verificar aquele inchaço” que Maradona apresentava, embora isso representasse um “risco para a sua vida”.
“O desfecho final foi a morte. Acreditamos que esses sinais de alerta não foram devidamente considerados pelos médicos, pois a conduta deles não mudou”, disse enfaticamente o legista.
“No mínimo, deveriam ter realizado uma visita presencial para avaliar esses sintomas, consultar um cardiologista ou encaminhá-lo diretamente a uma unidade de saúde para estabelecer um diagnóstico correto”, acrescentou Cassinelli, afirmando que o atendimento domiciliar não deveria ter sido adotado.
