No final de semana passado, li um relatório do PitchBook com um título que ficou ecoando na minha cabeça: “A recuperação atual do venture capital é toda IRR, sem DPI”.
Traduzindo para quem não vive o jargão do mercado: o venture capital parece ter se recuperado, mas boa parte dessa recuperação ainda existe mais no papel do que na conta bancária.
Há muitos motivos para o otimismo. Rodadas de inteligência artificial continuam acontecendo em valuations impressionantes. A captação de recursos voltou a acelerar e os retornos reportados pelos fundos melhoraram significativamente nos últimos trimestres.
Mas há um detalhe importante: Os fundos levantados em 2021 devolveram muito pouco dinheiro aos seus investidores até agora. Bem pouco mesmo. E isso nos leva a uma distinção importante.
No mundo de venture capital, existe uma diferença entre aquilo que um investimento vale e aquilo que ele já devolveu. Uma startup pode valer bilhões de dólares em uma rodada recente. Um fundo pode mostrar retornos excelentes em seus relatórios. Mas, enquanto ninguém vender a empresa, fizer um IPO ou gerar liquidez de alguma forma, esse ganho continua sendo apenas uma marcação de valor. Por isso, o relatório traz uma provocação interessante: a recuperação atual do mercado parece ser mais uma recuperação de valuation no papel do que uma recuperação de liquidez.
É verdade que essas duas coisas normalmente caminham juntas, mas não necessariamente no mesmo ritmo.
