Durante mais de três décadas desenvolvendo tecnologias para infraestrutura, aprendi uma lição que também conheci na indústria aeronáutica: quando uma inovação muda completamente a forma como as pessoas interagem com um sistema, o maior desafio raramente está na tecnologia. Está na confiança.
Foi assim quando participei do desenvolvimento de sistemas embarcados para aeronaves militares. Um piloto jamais questiona apenas se um equipamento funciona. Ele precisa confiar que funcionará corretamente sob qualquer condição. Nas rodovias, começa a acontecer exatamente o mesmo.
Essa discussão ganha ainda mais relevância porque o Brasil atravessa o maior ciclo de investimentos em concessões rodoviárias da sua história.
Segundo o Ministério dos Transportes, cerca de R$ 150 bilhões devem ser investidos pela iniciativa privada até o fim de 2026, enquanto uma carteira ainda mais ampla prevê centenas de bilhões de reais em novos projetos para modernizar a infraestrutura viária do país.
E, mais do que ampliar a malha concedida, essa nova geração de contratos incorpora tecnologias que, até pouco tempo atrás, eram vistas apenas como tendência. O Free Flow é uma delas.
Existe, porém, uma mudança silenciosa por trás desse movimento. Pela primeira vez, a qualidade de uma rodovia deixará de ser medida apenas por quilômetros duplicados, pontes ou viadutos construídos. Ela também passará a ser avaliada pela inteligência embarcada capaz de operar essa infraestrutura.
