Estoques quase recordes, avanços tecnológicos e a ascensão de importantes exportadores, como o Brasil e a Rússia, tornaram o sistema alimentar global mais resiliente ao “super” El Niño deste ano, em relação a eventos climáticos semelhantes no passado.
A produção agrícola mundial tem superado o consumo e o crescimento populacional desde a década de 1980, segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) e analistas.
Essas mudanças foram impulsionadas por variedades de culturas de maior rendimento, maior uso de fertilizantes e melhorias na irrigação e na proteção das culturas, elevando a produtividade de alimentos básicos como arroz, trigo, milho e soja.
“Mesmo em condições de seca, uma melhor gestão da irrigação e os avanços na ciência agrícola significam que ainda podemos produzir safras comercializáveis”, disse Andrew Whitelaw, da consultoria agrícola australiana Episode 3.
“Existe o impacto potencial sobre o abastecimento e os preços globais de alimentos, mas nossa melhor preparação significa que as perturbações são muito menos graves do que teriam sido nas décadas anteriores.”
Fenômeno ganha força
A seca trazida pelo El Niño já prejudicou o plantio em grande parte da Ásia, incluindo Índia, Sudeste Asiático e Austrália, enquanto a escassez de fertilizantes e diesel causada pela guerra no Irã agrava os riscos à produção global de alimentos.
