O número de crianças e adolescentes vítimas de crimes digitais cresceu 78% durante o período das últimas férias escolares, saindo de 89 para 158, conforme dados coletados pelo NOAD (Núcleo de Observação e Análise Digital), da Polícia Civil de São Paulo.
No mesmo intervalo, os casos de zoosadismo, prática de violência contra animais incentivada em ambientes digitais, cresceram de cinco para 15 registros. O número representa uma alta de 200%.
Para os especialistas, o contato prolongado com ambientes virtuais, sem acompanhamento dos pais ou responsáveis, pode facilitar a exposição de menores a conteúdos nocivos, discursos de ódio e até comunidades que incentivam práticas criminosas.
Plataformas utilizadas para a disseminação desse tipo de conteúdo, como o Discord, estão na mira de investigações da Polícia Civil de São Paulo e de autoridades nacionais.
O perigo dos algoritmos e os conteúdos violentos
Segundo a polícia, adolescentes podem ser expostos gradualmente a conteúdos cada vez mais violentos por meio dos próprios algoritmos das plataformas digitais.
O processo, muitas vezes comum, começa com materiais que são, à primeira vista, inofensivos. No entanto, à medida que o usuário mostra interesse, as recomendações passam a incluir conteúdos mais extremistas, com incentivo ao discurso de ódio e à violência.
“A misoginia hoje é um dos principais indicadores de alerta para nós. O adolescente vai sendo dessensibilizado e passa a consumir conteúdos cada vez mais violentos.
