A convivência entre humanos e gatos pode estar passando por uma transformação que vai além da domesticação ocorrida milhares de anos atrás. Pesquisas citadas pela bióloga Grace Carroll indicam que a vida próxima às pessoas pode favorecer alterações comportamentais em animais.
Estudos realizados com raposas em Londres e cervos no Phoenix Park, em Dublin, mostram que indivíduos mais dispostos a tolerar ou procurar humanos podem obter vantagens no ambiente urbano. Os resultados levantam uma questão semelhante para os gatos, embora eles já convivam com pessoas há milhares de anos.
A hipótese discutida é que os felinos ainda possam estar respondendo evolutivamente à vida ao lado dos humanos. Outra possibilidade, porém, é que a principal transformação tenha ocorrido na própria sociedade, que passou a atribuir aos gatos um papel muito mais próximo ao de integrantes da família.
A domesticação pode continuar depois da aproximação com humanos
A ideia de que a domesticação termina quando um animal passa a viver com pessoas é colocada em dúvida por pesquisas sobre espécies que continuam se adaptando aos ambientes humanos.
Um dos exemplos apresentados envolve raposas vermelhas estudadas em Londres e nas áreas rurais próximas à cidade. Em uma pesquisa liderada por Kevin Parsons, da Universidade de Glasgow, pesquisadores compararam crânios de animais provenientes dos dois ambientes. O trabalho, publicado em 2020, identificou diferenças recorrentes entre os grupos.
