O tubarão kitefin, maior vertebrado bioluminescente conhecido, pode ter desenvolvido seu brilho não apenas para se camuflar nas profundezas do oceano, mas também para localizar alimento.
A hipótese surgiu a partir de análises realizadas com oito exemplares capturados como fauna acompanhante durante uma pesquisa na região de Chatham Rise, a leste da Nova Zelândia, e examinados por pesquisadores liderados pelo biólogo marinho Julien Claes, da Université Catholique de Louvain, na Bélgica.
Publicado na última sexta-feira (07) na revista iScience, o estudo indica que a luz emitida pelo animal apresenta características compatíveis com a camuflagem, mas também se espalha lateralmente de maneira que pode favorecer a procura por presas em um ambiente quase sem iluminação.
Luz que pode esconder e caçar
O fenômeno conhecido como contra-iluminação é utilizado por diversos animais marinhos para reduzir a própria silhueta diante da luminosidade que chega da superfície. Em vez de aparecer como uma forma escura para animais que observam de baixo, o corpo recebe uma iluminação capaz de se confundir com o ambiente.
No caso do tubarão kitefin, essa explicação ganhou força porque o tubarão não possui predadores naturais conhecidos. A descoberta da bioluminescência da espécie é relativamente recente, e a ausência de ameaças conhecidas levantou a possibilidade de que sua emissão luminosa cumpra funções além da defesa.
