Auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recomendam que ele inicie cortes de gastos logo no começo de um eventual quarto mandato, caso seja reeleito. A proposta, no entanto, gera profunda divisão dentro do PT e levanta dúvidas sobre a credibilidade fiscal do governo.
Segundo interlocutores, a ideia é utilizar o capital político do início do novo mandato para frear as despesas, evitando antecipar medidas impopulares em plena campanha eleitoral. A estratégia contrasta com o que ocorreu em 2023, quando a chamada PEC da transição permitiu um forte crescimento dos gastos.
Metas e divergências internas
A recomposição das contas públicas, de acordo com os interlocutores, precisaria mirar a estabilização da relação dívida-PIB até 2030, de forma gradual. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, chegou a falar publicamente em reduzir o limite de crescimento real das despesas permitido pelo arcabouço fiscal, hoje em 2,5% ao ano, para um teto de 1,5%.
Segundo relatos, essa redução poderia ser estendida também ao aumento real do salário mínimo, com impacto direto sobre gastos com aposentadorias e pensões.
Já o economista Sérgio Gabrielli, coordenador da campanha de Lula, afirma que o equilíbrio fiscal não é um fim em si mesmo. Para ele, cortes em salários e benefícios seriam como “enxugar gelo” diante da alta taxa de juros, e os pisos constitucionais de saúde e educação representam conquistas do movimento social.
