O Brasil terá de acelerar a abertura de novos mercados e ampliar o consumo doméstico de produtos agrícolas diante da estratégia da China de reduzir a dependência de importações de alimentos nos próximos anos, em especial com o uso de biodiesel.
A avaliação é do secretário de Política Agrícola do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária), Guilherme Campos, que, em entrevista à CNN, disse que a transição energética um dos principais “atenuantes” para uma eventual desaceleração da demanda externa, principalmente por meio da expansão do biodiesel e do etanol.
A China é o principal destino de diferentes produtos do agronegócio brasileiro e tem peso especialmente relevante para a soja. A cada dez toneladas da oleaginosa embarcadas, sete vão para os portos chineses.
Diante dessa dependência, uma parcela maior da produção poderia ser destinada ao esmagamento para fabricação de biodiesel, lembra Campos.
O processo, segundo ele, ainda teria um efeito adicional sobre a pecuária: além do óleo destinado ao combustível, aumentaria a disponibilidade de farelo para alimentação animal, reforçando a competitividade das proteínas brasileiras.
“Na moagem, parte do óleo vai para biodiesel, aumenta a disponibilidade para ração animal e aumenta ainda mais a competitividade da proteína animal brasileira”, afirmou.
