A taxa das blusinhas, denominação popular para a taxação sobre compras internacionais de baixo valor, é apontada como a maior ameaça de impacto eleitoral ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva. A avaliação é de Leonardo Barreto, sócio da consultoria Think Policy, em entrevista ao WW desta segunda-feira (10).
Segundo Barreto, pesquisas qualitativas mostram que a taxação aparece de forma consistente como um ponto negativo associado ao governo, especialmente entre as camadas mais pobres da população. “Começou pelo andar de baixo, que é exatamente pela taxa das blusinhas”, afirmou.
Medida “sem paternidade” no governo
Barreto destacou que, atualmente, a medida provisória relacionada à taxação se encontra em uma situação incomum: está, nas suas palavras, “sem pai”. Isso porque o Ministério da Fazenda era contrário à medida, que teria sido imposta pelo ministro Sidoni.
“O que a gente escuta de assessores governamentais é que o Sidoni é o que tem que articular agora”, disse o analista. O consultor também ressaltou que o varejo trava uma grande batalha em torno do tema.
O analista lembrou que, em determinado momento, o governo costumava argumentar que estava “taxando o andar de cima”.
No entanto, nas pesquisas qualitativas, a percepção da população era diferente: a memória da taxação das blusinhas prevalecia como símbolo de uma gestão com reputação de “taxadora”, afetando diretamente quem tem menor renda.
