A inflação acima do esperado e os juros elevados reduziram o espaço disponível no orçamento das famílias brasileiras. Em maio, sobraram, em média, R$ 21,70 de cada R$ 100 recebidos depois do pagamento de despesas essenciais e dívidas, segundo levantamento da consultoria Tendências.
O resultado está entre os menores da série histórica, iniciada em 2011. Em janeiro e fevereiro deste ano, a renda disponível chegou ao menor nível registrado, de 21%.
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Sem considerar empréstimos e financiamentos, a parcela disponível para outros gastos foi de 41,64% em maio. O cálculo considera despesas com alimentação, transporte, aluguel e medicamentos.
Supermercado pesa no orçamento
A alimentação também pressiona a renda. Pesquisa da empresa de ciência de dados Dunnhumby, com 10 mil pessoas, mostrou que o brasileiro gasta, em média, R$ 1.073,98 por mês em supermercados.
A inflação de alimentos e bebidas supera o índice geral. Em julho, o IPCA-15 acumulava alta de 3,51% no ano, enquanto o grupo de alimentos e bebidas registrava avanço de 4,37%.
A Selic está em 14% ao ano, aumentando o custo do crédito e o peso das dívidas. Na capital paulista, 74,1% dos lares estão endividados.
A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) caiu pelo quarto mês consecutivo em julho, segundo a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).
