O mercado financeiro brasileiro já começou a recalibrar suas projeções diante de um eventual quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo a editora e analista de Economia da CNN, Lucinda Pinto, ao Hora H, a mudança se deve a uma recalibragem na comunicação do governo, que passou a incorporar sinais mais claros de comprometimento com a responsabilidade fiscal.
Em outras eleições, a reação dos mercados às pesquisas e à corrida eleitoral era perceptível com antecedência, especialmente no câmbio. Desta vez, porém, o cenário se apresenta de forma distinta.
“O dólar está meio anestesiado”, explicou Lucinda, apontando fatores como a valorização do petróleo, o elevado diferencial de taxa de juros entre Brasil e Estados Unidos e a perda de força global da moeda americana como elementos que mascaram o impacto eleitoral sobre o câmbio.
O ativo que mais capta a sensibilidade do mercado, segundo Lucinda, é a curva de juros futuros. O juro real pago pelas NTNBs, títulos indexados ao IPCA, encontra-se acima de 8%, refletindo uma preocupação significativa dos investidores.
“Se o juro futuro está muito alto, o governo acaba tendo que pagar mais caro para vender os seus títulos públicos”, destacou a analista, explicando a espiral negativa gerada sobre a dívida pública.
Possivelmente em resposta a esse cenário, o governo vem ajustando sua comunicação.
