O avanço do El Niño já provoca movimentos distintos no mercado livre de energia no Brasil. Enquanto a recuperação dos reservatórios após as fortes chuvas no Sul reduziu os valores negociados para entrega nos próximos meses, contratos com início em 2027 passaram a incorporar uma percepção maior de risco.
A mudança aparece nos dados da BBCE (Balcão Brasileiro de Comercialização de Energia), um dos principais ambientes de negociação do setor. Entre o fim de maio e o encerramento de julho, contratos de curto prazo chegaram a acumular queda de 44%, ao mesmo tempo em que os papéis voltados para o próximo ano registraram alta.
O contraste reflete a preocupação de geradores, comercializadores e consumidores com os efeitos que o fenômeno climático poderá produzir sobre diferentes regiões do país. A possibilidade de menos chuva no Norte e no Nordeste e de menor produção eólica no fim do ano alimenta dúvidas sobre a oferta futura e pode pressionar os preços.
Mercado reage de forma diferente conforme o prazo
A energia negociada para setembro na região Sudeste terminou julho cotada a R$ 138,32 por MWh, recuo de 14% em relação a junho e de 44% ante o último dia útil de maio. Já os contratos para agosto fecharam o mês em R$ 188,86 por MWh, acumulando retração de 23% nos dois meses anteriores.
Para os contratos com entrega entre fevereiro de 2027 e janeiro de 2028, o movimento foi inverso. Os valores avançaram 1% na comparação com maio e 4% em relação a junho.
