A vontade de um doce depois do almoço, talvez, seja apenas o desejo instintivo e justo do ser humano em busca da evolução. Um estudo aponta que os açúcares dietéticos (carboidratos glicêmicos) foram um elemento indispensável no progresso da espécie.
A pesquisa de Jennie Brand-Miller e colaboradores, publicada na revista Science sob o título “A central role for dietary sugars in human evolution”, utiliza modelagem matemática para demonstrar que o crescimento do cérebro humano gerou uma demanda de energia que dietas baseadas apenas em proteínas e gorduras (gliconeogênese limitante) não conseguiriam suprir.
O estudo aponta como o cérebro humano, os glóbulos vermelhos (eritrócitos) e a medula renal de um adulto dependem de uma quantidade essencial de glicose diariamente para funcionar.
Ao longo da evolução, o peso estimado do cérebro dos hominíneos cresceu de 300 g (no Australopithecus afarensis) para 1500 g (no Homo sapiens), elevando drasticamente essa necessidade.
O modelo matemático do estudo mostra que, em uma dieta com pouco ou nenhum carboidrato, a capacidade do corpo de produzir glicose a partir de proteínas, não conseguiria suprir o cérebro em expansão.
O ancestral comum humano - representado no modelo pelo chimpanzé selvagem - obtinha cerca de 95% de sua energia de plantas e mel, sendo que 95% dos carboidratos consumidos eram açúcares solúveis de frutas maduras e mel.
Com o resfriamento global e a expansão das savanas, a evolução forçou uma transição.
