Durante décadas, o câncer do colo do útero esteve entre as principais causas de adoecimento e morte por câncer entre mulheres, sobretudo em países de baixa e média renda. Todos os anos, centenas de milhares de novos casos são diagnosticados no mundo, muitos deles em mulheres que nunca tiveram acesso à vacinação, ao rastreamento ou ao tratamento adequado.
Hoje, porém, a história começa a mudar. Pela primeira vez, a medicina reúne ferramentas capazes de reduzir drasticamente a incidência desse tumor. Com base nas evidências acumuladas nas últimas décadas, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou uma estratégia global para eliminar o câncer do colo do útero como problema de saúde pública.
Eliminar, nesse contexto, não significa erradicar completamente a doença. Significa reduzir sua incidência para menos de quatro novos casos por 100 mil mulheres por ano, um patamar considerado suficientemente baixo para que o câncer deixe de representar um importante problema de saúde pública.
A possibilidade de alcançar esse objetivo depende da combinação de três estratégias que atuam em diferentes etapas da prevenção: vacinação contra o HPV, rastreamento de qualidade e tratamento das lesões precursoras antes que elas evoluam para um câncer invasivo.
O elo entre o HPV e o câncer
Praticamente todos os casos de câncer do colo do útero estão relacionados à infecção persistente pelo papilomavírus humano (HPV), um vírus extremamente comum, transmitido principalmente pelo contato sexual.
