O setor elétrico brasileiro passará por um novo teste nos próximos meses com o El Niño de 2026-2027. Para o consumidor, a pergunta central é simples: isso vai encarecer a conta de luz?
A resposta correta é menos confortável do que um simples “sim” ou “não”. O El Niño não aumenta a tarifa diretamente, mas altera chuva, temperatura, vazões, consumo e disponibilidade das fontes de energia. O custo aparece quando essas mudanças exigem decisões mais caras para manter o sistema equilibrado e seguro.
O erro mais comum é resumir o fenômeno a uma sequência automática: mais calor, menos chuva e energia mais cara. Em um país continental como o Brasil, o mesmo El Niño pode provocar excesso de chuva no Sul, estiagem no Norte, maior uso de ar-condicionado no Sudeste e impactos diferentes sobre hidrelétricas, eólicas, solares, termelétricas e redes de transmissão.
Os episódios de 2015-2016 e 2023-2024 demonstram essa assimetria. No segundo semestre de 2015, o consumo do SIN (Sistema Interligado Nacional) cresceu 5,3% em um período de temperaturas elevadas e recordes de demanda. As afluências ficaram em 58% da média histórica no Norte e 37% no Nordeste, mas atingiram 191% no Sul e 109% no Sudeste/Centro-Oeste. Naquela ocasião, por exemplo, a boa hidrologia nas regiões com maior capacidade de armazenamento reduziu a pressão sobre os preços.
