Durante seis meses em 1964, os céus de Oklahoma City rugiram enquanto aeronaves militares perturbavam intencionalmente a população com uma saraivada diária de estrondos sônicos ensurdecedores. Foi um teste controverso, cujas consequências perduram até hoje.
Os estrondos, 1.253 no total, faziam parte de um esforço da Administração Federal de Aviação dos EUA para avaliar a opinião pública sobre voos supersônicos. Mais rápidos que a velocidade do som, esses voos têm o potencial de reduzir o tempo de viagem pela metade. Mas o teste foi um catalisador importante que, eventualmente, selaria o destino das viagens supersônicas comerciais sobre os Estados Unidos.
Em 1971, o Congresso cancelou o financiamento para o avião supersônico proposto pela Boeing, o 2707, deixando apenas dois concorrentes na corrida supersônica para passageiros: o Concorde europeu e o malfadado modelo rival soviético, o Tupolev Tu-144. Em seguida, em 1973, a FAA (Administração Federal de Aviação dos EUA) proibiu efetivamente o voo supersônico civil sobre terra nos Estados Unidos, ao impedir que aeronaves civis voassem a velocidades superiores a Mach 1, ou seja, a barreira do som, evitando assim os estrondos sônicos. O Concorde tornou-se o único avião comercial supersônico, voando pelos céus de 1976 a 2003. O jato nunca teve um sucessor.
Agora, cerca de 50 anos após a proibição, uma nova era de voos supersônicos parece estar ao nosso alcance.
