Custos de produção elevados, preços baixos das commodities, problemas climáticos e produtores cada vez mais endividados formam o que o presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Sérgio Bortolozzo, define como uma “tempestade perfeita” no agronegócio.
Em entrevista publicada na Edição 334 Revista Oeste, Bortolozzo afirma que uma das principais ferramentas do governo para financiar a atividade rural já não cumpre adequadamente sua função.
“O Plano Safra perdeu a sua razão de existir”, disse o presidente da SRB. “A pauta prioritária é a elaboração de um plano de seguro agrícola viável, principalmente ao produtor endividado e que, por causa disso, não tem acesso ao Safra.”
De acordo com Bortolozzo, as taxas de juros, o volume disponível e as análises de risco feitas pelos bancos dificultam o acesso aos recursos. Para produtores que já acumulam dívidas, o problema torna-se ainda maior.
Bortolozzo defende a busca por fontes alternativas de financiamento, inclusive por meio de fintechs, além da criação de mecanismos que permitam ao produtor endividado voltar a obter crédito.
Os efeitos do tarifaço imposto pelos EUA
As dificuldades dentro da porteira são apenas parte das preocupações da entidade. No exterior, Bortolozzo acompanha os efeitos da tarifa adicional de 25% anunciada pelos Estados Unidos para diversos produtos brasileiros.
A SRB participou, em julho, de reuniões promovidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), em Washington.
