“Cria cuervos, y te sacarán los ojos”, diz o velho provérbio espanhol, cria corvos e eles te arrancarão os olhos. Há mais de um ano usei essa imagem para descrever o espanto teatral da Faria Lima ao ver a militância que ela mesma ajudou a eleger protestando contra “os ricos” em frente aos seus próprios bancos. Pois os corvos voltaram a pousar, e desta vez foi o próprio patriarca do bando quem lhes deu a bicada.
No fim de semana, em ato do MTST, Lula perguntou se “alguém que decide a taxa de juros” ou cobra ajuste fiscal sabe como vive o povo, e respondeu ele mesmo: não sabe, porque para eles o pobre é número. Antes, já havia dito que o Estado brasileiro fora “aprisionado” pela Faria Lima e que o “banco” preferiria ver o dinheiro público render a si mesmo a financiar escola para filho de pobre. É o velho catecismo de sempre, ricos contra pobres, mercado contra povo, vestido de indignação social, mas ditado, linha por linha, pelo mesmo homem que, com Fidel Castro, fundou nos anos 1990 a organização continental destinada a “resgatar na América Latina o que se perdera no Leste Europeu”.
A verdadeira face de Lula
Não deveria surpreender ninguém. Quem aplaudiu, em 2022, o comunista reconvertido em salvador da democracia comprou, com desconto de urgência eleitoral, um projeto que jamais escondeu sua hostilidade histórica ao capital. Achou que bastava um arcabouço fiscal e um brinde no Itaú Cultural para domar a fera.
