Enquanto o trabalhador brasileiro recebe, em média, cerca de R$ 3,6 mil por mês, algumas ocupações ligadas direta ou indiretamente ao Estado acumulam rendimentos capazes de transformar um único mês de trabalho em vários anos de salário de uma pessoa comum.
É o que mostra um painel da Receita Federal com os valores médios declarados no Imposto de Renda por ocupação. Nas primeiras posições do ranking predominam carreiras relacionadas ao aparato estatal. Professores, policiais, enfermeiros e bombeiros não aparecem entre as listadas.
No topo estão os titulares de cartórios. Segundo os dados analisados na Edição 334 Revista Oeste, a categoria declarou rendimento médio de aproximadamente R$ 2,8 milhões por ano, cerca de R$ 230 mil mensais.
Na sequência aparecem magistrados, promotores de Justiça, diplomatas e advogados do setor público. Entre as dez ocupações de maior rendimento, médicos, atletas e pilotos estão entre as poucas que não dependem necessariamente de uma carreira ou concessão estatal.
Cartórios movimentam milhões
O caso dos cartórios tem uma particularidade. Seus titulares não são servidores remunerados diretamente pelo governo. Depois de aprovados em concurso, recebem uma delegação do poder público para prestar determinados serviços.
Nascimento, casamento, divórcio, compra e venda de imóveis, reconhecimento de firmas e uma série de outros atos da vida civil passam pelos cartórios, e geram receitas.
