Existe uma brincadeira que resume bem o momento atual: o brasileiro não tem medo do fim do mundo; tem medo do fim do mês, quando chegam os boletos.
A frase provoca risos, mas esconde uma realidade preocupante. O emprego cresceu, a renda média avançou e o desemprego está entre os menores níveis da história. Mesmo assim, uma parcela enorme da população sente que está ficando mais pobre.
Uma reportagem publicada neste fim de semana pelo jornal O Estado de S. Paulo, baseada em levantamento da Tendências Consultoria, ajuda a explicar esse paradoxo. A resposta está na diferença entre aquilo que entra no bolso e o que realmente sobra depois das contas.
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A renda subiu, mas a sobra sumiu
Segundo o IBGE, o desemprego caiu para 5,4% no trimestre encerrado em junho. O rendimento médio real do trabalhador chegou a R$ 3.738, com crescimento de 2,8% em relação ao mesmo período do ano passado.
A fotografia parece positiva. Mas ela não mostra o orçamento completo das famílias.
O estudo citado pelo Estadão aponta que, depois de pagar despesas essenciais, impostos, juros e amortizações, restam apenas 21% da renda para o brasileiro. É o menor percentual desde o início da série, em 2011, quando a sobra chegou a 27,2%.
Traduzindo: de cada R$ 100 recebidos, aproximadamente R$ 79 já têm destino certo.
