O brilhante economista Marcos Lisboa diz que a estagnação e o fraco desempenho econômico do Brasil é fruto de escolhas erradas. O caso do atual debate sobre o futuro de duas empresas públicas é emblemático. A insistência do Estado brasileiro em atuar como empresário continua cobrando um preço alto da sociedade. O setor privado faz a alocação de capital pelo caminho mais eficiente, através da inovação e produtividade, a gestão pública insiste em resgatar companhias deficitárias e inviáveis. Os casos recentes dos Correios e do Banco de Brasília (BRB) expõem as vísceras de um modelo ultrapassado, o socorro público a operações destruidoras de valor.
A situação dos Correios (EBCT), após catorze trimestres de resultados negativos ultrapassou, o mero desequilíbrio conjuntural e tornou-se um problema de sobrevivência. Acumulando prejuízos bilionários consecutivos, impulsionados por um inchaço operacional, perda de fatia no mercado de e-commerce e encargos trabalhistas pesados, faz estatal viver à beira da insolvência. Em vez de avançar na desestatização para atrair investimento privado e tecnologia, o governo federal busca operações de socorro e empréstimos. A estatal federal já tomou 12 bilhões de empréstimo em cinco bancos e pede mais 7 bilhões. O Patrimônio líquido está negativo em 16 bilhões, ou seja, se vender tudo que tem, a empresa ainda ficaria devendo. Ela está tecnicamente falida.
