Todas as manhãs, Micheline Kayimpa veste várias camadas de equipamentos de proteção antes de entrar em uma ala de isolamento para pacientes com ebola no leste da RD (República Democrática) do Congo, sabendo que um único erro pode custar sua vida.
No Centro de Tratamento de Ebola Elikya, em Bunia, a enfermeira passa os dias cuidando de pacientes infectados pelo ebola, um dos vírus mais letais do mundo. Ela administra medicamentos e presta assistência a pessoas debilitadas demais para se alimentarem sozinhas.
Como o ebola é transmitido por meio de fluidos corporais, até mesmo os cuidados de rotina expõem os profissionais de saúde a um risco constante, desde o atendimento aos pacientes até a limpeza de áreas contaminadas.
“Tenho muito medo pela minha segurança”, disse Kayimpa à CNN. “Às vezes, um pequeno detalhe que deixamos passar pode ser fatal.”
Mas, à medida que o surto avança em ritmo alarmante, os profissionais de saúde afirmam que enfrentam mais do que apenas o vírus.
Após meses tratando pacientes com ebola, Kayimpa diz que ainda não recebeu um único salário do governo. Mãe de quatro filhos, ela está entre dezenas de profissionais de saúde que protestaram contra os atrasos nos pagamentos e ameaçaram interromper o trabalho.
O momento não poderia ser pior.
Kayimpa atua na linha de frente do que a OMS (Organização Mundial da Saúde) classifica como o maior surto de ebola já registrado na República Democrática do Congo.
