Moinhos e padarias estão absorvendo parte do aumento dos custos do trigo em um momento de menor oferta doméstica e incerteza sobre a qualidade da próxima safra. Enquanto os moinhos tentam recompor margens sem perder mercado, as padarias seguram parte da alta da farinha para evitar um aumento maior dos preços ao consumidor. O movimento comprime as margens ao longo da cadeia e ocorre justamente na transição para uma nova safra de trigo.
Segundo Paloma Venturelli, presidente do Sinditrigo-PR (Sindicato da Indústria do Trigo no Estado do Paraná) e CEO do Moinho Globo, os moinhos já repassaram, em média, entre 10% e 15% do aumento de custos, mas ainda existe a necessidade de novos reajustes.
Os moinhos têm adotado medidas para preservar caixa e margem. Segundo Venturelli, algumas empresas estão reduzindo as metas de volume e moagem para evitar a comercialização de trigo sem margem em um período de incerteza quanto à reposição da matéria-prima.
“Diminui a tua meta de volume. Foca em ter algum tipo de margem de contribuição e ganho, porque não adianta você queimar o trigo só para vender”, afirmou.
Alguns moinhos relataram à reportagem que, ao tentarem repassar um aumento de 5% no preço do trigo, não encontraram compradores dispostos a aceitar o reajuste. Venturelli confirma o movimento.
“Esse repasse tinha que ter acontecido no primeiro semestre e, para algumas empresas, não aconteceu. E agora, que a água chegou no pescoço, está no desespero.
