O crescimento acelerado do uso de inteligência artificial na produção de conteúdo político não se traduz, necessariamente, em maior alcance eleitoral. Essa é a avaliação de Renato Dolci, que apresentou dados inéditos sobre a performance de vídeos rotulados como produzidos por IA durante as eleições.
Segundo Dolci, o fator determinante para o impacto de um conteúdo político continua sendo a distribuição pelas plataformas de redes sociais, e não a capacidade de criação oferecida pelas ferramentas de inteligência artificial.
Dolci apresentou um levantamento realizado com base nas duas últimas semanas de julho, no qual foram contabilizados 6.022 vídeos produzidos com o rótulo “produzido por IA” por políticos de todos os níveis eleitorais, tanto em eleições proporcionais quanto diretas. O número impressiona ainda mais quando comparado ao período anterior: duas semanas antes, o total era de aproximadamente 600 vídeos, o que representa um crescimento de dez vezes em apenas um mês.
Apesar do volume expressivo de produções, os dados de engajamento contam uma história diferente. Dolci explicou que, ao excluir os dez vídeos de grandes candidatos do total de 6.022, os 6.012 vídeos restantes acumularam apenas 117 interações. “É muito pequeno o efeito”, afirmou. Para ele, o dado evidencia que a criação de conteúdo por IA, por si só, não garante visibilidade ou impacto real no ambiente digital.
