O economista José Sergio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras e coordenador do programa de governo à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), criticou um “arrocho fiscal” e afirmou que o equilíbrio das contas públicas não pode ser encarado como “um fim em si mesmo”.
Em texto distribuído na noite desta sexta-feira (7), Gabrielli culpou o Banco Central pelo crescimento acelerado da dívida e argumentou que “não dá para aceitar” recomendações de construir um superávit primário acima de 2% do PIB para fazer frente a isso.
“A redução do déficit público não pode depender exclusivamente da contenção de despesas e do arrocho fiscal, medidas que historicamente penalizam os mais vulneráveis”, afirma Gabrielli no texto, de sete páginas, disparado a contatos praticamente ao mesmo tempo em que foi divulgado o programa de governo à reeleição de Lula.
O ex-presidente da Petrobras defende os pisos constitucionais da saúde e da educação como “conquistas” do movimento social. Para ele, sua mudança pode ter impactos negativos nesses setores, mas pode haver mais “eficiência e eficácia” no gasto.
Outras medidas frequentemente cobradas por economistas e pelo mercado são minimizadas no texto: “Conter os reajustes das aposentadorias, dos salários dos funcionários públicos e do salário mínimo é, como diz o povo, ‘enxugar gelo’ se os juros continuarem altos”, escreve.
Segundo ele, são necessárias medidas que ampliem a eficiência, a transparência e a qualidade do gasto público.
