Em depoimento prestado para a Polícia Federal há quase uma semana, José Luiz Felícia Filho, proprietário e presidente da Voepass, admitiu formalmente que tinha conhecimento de uma prática sistêmica de omissão de falhas técnicas nos registros oficiais de aeronaves da companhia.
O inquérito que investigou a queda de um avião da empresa que resultou na morte de 62 pessoas, em Vinhedo, em 2024, foi concluído nesta quinta-feira (6).
A investigação da PF aponta que essa “cultura de omissão” visava evitar que aviões fossem retidos para manutenção, garantindo a continuidade da malha aérea em detrimento da segurança.
O momento mais contundente da oitiva ocorreu quando o empresário foi questionado sobre a rotina de pilotos e mecânicos de não registrarem panes no Livro de Bordo para evitar pernoites em bases sem manutenção. Felício Filho respondeu:
“Sim, já tinha esse conhecimento. A aviação regional costuma ser o primeiro emprego de muita gente, tanto pilotos quanto copilotos e mecânicos, e havia, de fato, essa prática de deixar para reportar na próxima base de manutenção. A ANAC já havia me alerta do sobre isso, sobre casos em que o piloto não queria pernoitar em determinada cidade.”
Pilotos, mecanicos e presidente da Voepass: veja quem são os indiciados e por quais crimes
Alertas de diretores da Anac
A invesigação revelou que a omissão não era um desconhecimento da alta gestão, mas uma escolha operacional ciente dos riscos.
