Semana passada, afirmei que a inteligência artificial jamais conseguirá produzir literatura. Desde então, tenho sido abordado por alguns colegas e estranhos, enamorados dos prompts e mecanismos dessa nova revolução, dizendo que tal sentença minha era um tanto quanto leviana, uma espécie de futurismo que tende, tal como outras profissões e capacidades humanas, a se mostrar repetível pelas máquinas.
Eles me entenderam mal, primeiro porque não sou um ludista do século 21, nem acho que a IA deixará de trazer avanços e benefícios. A única coisa que afirmo é que, quando falamos de literatura, é impossível separar o homem e sua humanidade do texto produzido por ele. Aliás, numa análise mais crua, poucas notícias são tão boas para escritores profissionais quanto o advento dos livros escritos por IA.
“Mas, Pedro...”, calma, meu bem.
Sempre houve no mundo literário boas e más literaturas, assim como bons e maus leitores, é óbvio. O mercado editorial, nesse quesito, é o mais democrático da Terra; pois, seja para chatos exigentes ou para medíocres superficiais, quase sempre existiram boas opções de textos. Os livros de IA apenas vêm compor o rol dos pouco exigentes, dos tarados por distrações fáceis, sem exigências para além da capacidade mínima de leitura, às vezes, nem isso. No entanto, a boa literatura continuará sempre sendo a arte dos homens, simplesmente porque não pode existir literatura sem humanidade.
