Passamos décadas sendo mandados pensar fora da caixa. Agora a caixa pensa sozinha, responde em segundos, e acha todas as suas ideias ótimas. Talvez seja hora de desconfiar do elogio.
Passei semanas pensando em como estrear esta coluna. Testei aberturas, descartei teses, escrevi e joguei fora. Em algum momento de fraqueza, fiz o que todo mundo faz em 2026: perguntei para a inteligência artificial.
Ela achou todas as minhas ideias excelentes. Todas. A ruim, a mediana e as mais absurdas.
Foi aí que percebi que eu tinha um problema. E um tema.
A resposta veio dias depois, do outro lado do mundo. Eu estava em Nova York, em frente à Times Square, tomando um chá gelado do Starbucks da China, a história desse lugar merece um artigo próprio, fica a promessa, olhando os telões sem olhar de verdade, do jeito que a gente olha publicidade. Até que li: think outside the box.
Só que li errado.
O anúncio dizia think outside the bot.
Alguém tinha pagado pelo espaço publicitário mais caro do planeta para anunciar contra o bot. E meu erro de leitura contava a história inteira. Passamos décadas sendo cobrados a pensar fora da caixa, o mantra de todo workshop de inovação, toda dinâmica com post-it; confesso que também tenho um slide com essa frase. Era o que separava os criativos dos executores.
Hoje, pensar fora da caixa virou commodity. A IA faz isso por você, em segundos, sem post-it e sem coffee break. Peça vinte ideias não óbvias sobre qualquer assunto e receba vinte e cinco.
