O Fed (Federal Reserve) manteve os juros americanos no patamar entre 3,5% e 3,75%, em decisão que gerou ampla repercussão negativa no mercado financeiro.
A manutenção, em vez de um aumento esperado por parte dos investidores, acendeu alertas sobre a capacidade do banco central americano de controlar a inflação.
Segundo Bernardo Pascowitch, o mercado já havia precificado a ausência de um aumento imediato, mas o cenário para 2026 mudou significativamente.
“Anteriormente, no começo do ano, falava-se em queda do juro americano para 2026. Agora já são dois aumentos nesse mesmo ano”, afirmou.
Ele destacou que a inflação americana continua elevada, com a última leitura acima de 3%, e que o mercado não está confiante na capacidade de Kevin Walsh de reduzi-la à meta de 2%.
Um dos efeitos mais expressivos da decisão foi a alta nos rendimentos dos bonds americanos. Os títulos de 20 anos superaram 5,22% pela primeira vez desde julho de 2007, às vésperas da grande crise financeira de 2008.
“O mercado está preocupado. Se a inflação não cair e o juro tiver que subir ainda mais, parece que o Fed está ficando atrás do necessário para combater a inflação”, alertou Pascowitch.
Com os yields em alta, as ações americanas recuaram, já que o apetite por risco diminui quando títulos públicos seguros oferecem retornos elevados.
Marilia Fontes destacou que a falta de comunicação clara de Kevin Walsh contribuiu para a desconfiança do mercado.
