O Brasil tem lidado de forma razoavelmente satisfatória com as tensões diplomáticas envolvendo os Estados Unidos e a Argentina, na avaliação de Carlos Frederico Coelho, professor de Relações Internacionais da PUC-Rio e da Eceme. Ao WW, o especialista analisou os desafios enfrentados pela diplomacia brasileira no atual cenário internacional.
Questionado sobre se o Brasil estaria sabendo lidar com o presidente americano, Donald Trump, e o presidente argentino, Javier Milei, descritos como “adversários diplomáticos”, Coelho foi direto: “Eu acho que está lidando razoavelmente bem.” Para ele, o tema está intrinsecamente ligado ao próprio projeto de país e à política externa brasileira.
Ordem internacional em transição
O especialista contextualizou o cenário global ao afirmar que, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, a ordem internacional passou por renovações, especialmente após o fim da Guerra Fria. Segundo ele, o mundo vive hoje uma fase de transição cujo destino ainda é incerto.
“A gente entende que a gente está numa ordem internacional em transição, sem que a gente saiba exatamente transição para onde ou transição para o quê”, afirmou.
Coelho destacou que essa fragmentação da ordem internacional abre espaço para novos arranjos e possibilidades, mas também impõe novos testes e riscos aos países. Nesse contexto, o uso de “estratégias coercitivas” por parte do governo americano torna o espaço de atuação e de escolha do Brasil mais custoso.
