A menor disponibilidade de gado deve ser um dos principais fatores de sustentação dos preços do boi gordo no segundo semestre, em um momento de mudança no ciclo pecuário brasileiro e de redução no ritmo de abates. A avaliação é da StoneX, que aponta que a oferta mais restrita de animais pode limitar os efeitos da menor demanda externa sobre as cotações.
Depois de um primeiro trimestre marcado por abates acelerados, a oferta de animais começou a se contrair a partir do segundo trimestre. O movimento ganhou força em julho e já se refletiu nos preços do boi gordo no mercado físico e também na formação dos contratos futuros.
Com menos animais disponíveis, os pecuaristas recuperaram poder de negociação, depois de um período em que a indústria tinha maior capacidade de pressionar os preços. A mudança ocorre em meio à chamada virada do ciclo pecuário, caracterizada pela redução da oferta de animais para abate após um período de maior disponibilidade.
De acordo com a consultoria, a menor oferta eleva o custo da matéria-prima ao mesmo tempo em que o setor precisa administrar o escoamento da carne em um ambiente de mudanças na demanda externa.
“O mercado doméstico continua firme e outros destinos podem ganhar espaço, mas a redução dos embarques para alguns mercados relevantes tende a aumentar a necessidade de redirecionamento da produção”, informou a Stonex.
A StoneX avalia que agosto, setembro e outubro devem concentrar uma parcela importante dos ajustes do mercado.
