A aproximação do processo eleitoral de 2026 traz à tona uma das discussões mais delicadas e mal compreendidas da vida pública brasileira: o papel das igrejas e das lideranças evangélicas na política.
De um lado, assistimos a tentativas constantes de silenciar a voz da fé na praça pública, sob o pretexto distorcido de um laicismo antirreligioso. Do outro, testemunhamos os riscos reais que a falta de orientação jurídica pode trazer para a imunidade das instituições e para a validade de candidaturas legítimas.
É preciso deixar claro: a Constituição Federal não exige que o cidadão se desfaça de suas convicções de fé ao exercer sua cidadania. O Estado laico brasileiro valoriza o elemento religioso, garantindo o direito de pregar, orientar e influenciar o debate público com valores confessionais.
No entanto, onde termina a liturgia, começa a cidadania; e onde começam as regras eleitorais, a credibilidade institucional da igreja precisa ser preservada com extremo rigor e ética.
Neste sentido, atualmente, o maior perigo para as instituições religiosas não é apenas a perseguição externa, mas a falta de informação jurídica interna.
Ora, o altar não é palanque.
