Pesquisadores da Universidade Stanford e do Arc Institute, nos Estados Unidos, projetaram pela primeira vez o genoma completo de vírus funcionais usando inteligência artificial. O estudo foi publicado nesta quinta-feira (6) na revista científica Science e é tratado por parte da comunidade científica como um marco na biologia sintética.
Os vírus criados são bacteriófagos, um tipo de vírus que infecta exclusivamente bactérias e não representa risco para seres humanos. Em testes de laboratório, um coquetel dos organismos gerados pela IA conseguiu eliminar bactérias E. coli que já haviam desenvolvido resistência a vírus naturais, algo que um coquetel de fagos convencionais não havia conseguido fazer.
A pesquisa não envolveu a criação de um vírus humano nem de qualquer patógeno com potencial de infectar pessoas. Ainda assim, o resultado reacendeu o debate sobre biossegurança, já que a mesma técnica usada para desenhar tratamentos também poderia, em tese, ser adaptada para fins mais arriscados no futuro.
Como a IA conseguiu criar os vírus
O sistema usado no estudo se chama Evo e funciona de maneira parecida com a de modelos de linguagem como o ChatGPT. Em vez de prever a próxima palavra de uma frase, a IA aprendeu a prever sequências de DNA, as bases A, C, G e T que compõem o código genético dos organismos.
Segundo a BBC, os modelos Evo1 e Evo2 foram inicialmente treinados com dados genéticos de vírus, bactérias, plantas e seres humanos.
