Atenção: este texto aborda suicídio e autolesão e pode ser sensível para alguns leitores. Se você ou alguém que você conhece precisa de apoio, o CVV (Centro de Valorização da Vida) atende gratuitamente pelo telefone 188, todos os dias, 24 horas.
Um documento interno do TikTok, obtido pela Bloomberg, mostra que a empresa manteve milhões de usuários fora de uma atualização de segurança do algoritmo em 2021 para medir o impacto da mudança no tempo de uso do aplicativo. Entre os cerca de 15 milhões de pessoas que ficaram sem a proteção estava Chase Nasca, americano de 16 anos que recebeu milhares de vídeos sobre suicídio e depressão nas semanas anteriores à própria morte, em fevereiro de 2022.
O caso reacende o debate sobre a responsabilidade das plataformas na moderação de conteúdo voltado a adolescentes, tema que já motivou processos judiciais nos Estados Unidos e uma investigação criminal na França.
O que mostra o documento interno
Segundo a Bloomberg, o TikTok atualizou o algoritmo em 2021 para reduzir a exposição de usuários a conteúdo prejudicial de forma repetitiva. A empresa, porém, não aplicou a mudança a todos de uma vez.
Um grupo de controle formado por 10% dos usuários americanos, o equivalente a 15 milhões de pessoas na época, continuou com a versão antiga do sistema de recomendação.
Chase Nasca fazia parte desse grupo.
