Pesquisadores estudam o “jamais vu”, uma experiência em que palavras, rostos ou lugares familiares passam a parecer estranhos ou sem sentido. O fenômeno é considerado o oposto do déjà vu e ajuda a revelar como o cérebro processa a familiaridade.
Estudo mostra que a sensação pode surgir em situações simples, como escrever uma palavra muitas vezes seguidas. Por alguns instantes, algo conhecido pode parecer novo, desconhecido ou até errado.
Quando uma palavra perde o significado
Imagine escrever seu próprio nome repetidamente em uma folha de papel. Depois de várias tentativas, as letras podem começar a parecer apenas símbolos sem conexão. Essa estranha sensação tem nome: jamais vu, expressão que significa “nunca visto”.
Enquanto o déjà vu faz uma situação nova parecer familiar, o jamais vu provoca o efeito contrário: algo conhecido passa a parecer estranho. Pessoas relatam essa experiência ao olhar para rostos familiares, repetir palavras ou até durante atividades que realizam com frequência.
O neuropsicólogo Akira O’Connor, da Universidade de St Andrews, estudou o fenômeno e relatou ter sentido algo parecido enquanto dirigia, quando precisou parar o carro porque pedais e volante deixaram temporariamente de parecer familiares.
Cientistas descobriram como provocar o efeito
Em 2023, O’Connor e o neuropsicólogo cognitivo Chris Moulin, da Université Grenoble Alpes, receberam um Ig Nobel Prize por desenvolver um experimento capaz de induzir o jamais vu em laboratório.
