Nas redes sociais, um corpo musculoso, definido e com baixo percentual de gordura costuma ser visto como sinônimo de saúde. A combinação entre treino intenso, alimentação rigorosa e desempenho físico cria a impressão de que quem exibe esse padrão está protegido contra doenças. Mas quando o assunto é coração, a aparência pode enganar.
Hipertensão, arritmias, colesterol elevado, doenças genéticas, obstruções das artérias e insuficiência cardíaca também podem acometer pessoas com excelente condicionamento físico. Em alguns casos, o primeiro sinal é justamente o mais grave: uma morte súbita durante o exercício ou em competições.
Em maio de 2026, o fisiculturista e influenciador Gabriel Ganley morreu aos 22 anos, o atestado de óbito apontou cardiomiopatia hipertrófica, doença caracterizada pelo espessamento anormal do músculo cardíaco, geralmente associada a alterações genéticas, embora alterações semelhantes também possam ocorrer em pessoas expostas ao uso abusivo de esteroides anabolizantes androgênicos. Poucas semanas depois, o fisiculturista profissional Mailson Araújo Santos morreu aos 35 anos após passar mal às vésperas de uma competição. Até o momento, a causa oficial não havia sido divulgada.
Esses episódios não permitem estabelecer uma relação direta de causa e efeito, mas reforçam uma discussão presente na literatura científica: um corpo extremamente musculoso não garante proteção cardiovascular e pode coexistir com fatores que aumentam o risco de doenças graves.
