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Vamos dar uma pausa nas discussões do presente para lembrar algumas figuras populares que habitam nossas memórias, em toda parte, enchendo o cotidiano das cidades. No Maranhão, sempre tivemos muitos: um deles era o Comendador Satyro Pamphilo, que andava sempre de casaca preta, cartola e bengala. Ele estava sempre muito sóbrio e sério, cumprimentando todos os que passavam por ele.
Mas a sua fama maior era por causa do espetáculo que fazia todo ano, chamado “A Queda da Bandeira”. Satyro fazia os convites à mão e colocava embaixo das portas das casas; levava quase todo o ano convidando para sua festa no Teatro de São Luís, hoje Teatro Arthur Azevedo.
O espetáculo resumia-se no seguinte: no dia 7 de setembro, ele colocava uma mesa, forrada com um pano verde, em cima do palco, bem na frente, e uma escadinha atrás dessa mesa, por onde ele subia. O espetáculo era muito popular, sobretudo entre os estudantes. Às sete horas da noite, em ponto, o Comendador Satyro entrava no palco e subia na mesa. Uma fanfarra tocava o Hino da Independência. Então, Satyro se enrolava na bandeira e se atirava lá de cima, no meio da estudantada, que o recebia nos braços; não poucas vezes, ele ia ao chão.
O público aclamava e gritava:, De novo! De novo! De novo!
E o Satyro subia novamente e tornava a se atirar no meio do pessoal. Era uma pataquada (como se dizia naquele tempo) terrível! Mas era célebre na cidade a festa "A Queda da Bandeira", do Comendador Satyro.
