A poeira de Marte pode representar um dos maiores desafios para futuras missões tripuladas ao planeta. Além das dificuldades de pousar e manter astronautas vivos na superfície marciana, cientistas alertam que a inalação dessas partículas pode trazer riscos à saúde devido à presença de compostos tóxicos, metais pesados e outras substâncias potencialmente cancerígenas.
Para se preparar para esse cenário, a NASA reuniu neste ano o Martian Dust Limit Working Group, grupo de especialistas encarregado de avaliar os riscos da poeira marciana e propor limites seguros de exposição para astronautas.
Segundo o relatório do grupo, o padrão inicial de segurança deverá equilibrar prudência com a viabilidade operacional das futuras missões, mas precisará ser atualizado à medida que novas pesquisas e dados sobre Marte forem obtidos.
O que torna a poeira de Marte perigosa?
Embora a poeira marciana seja menos cortante que a poeira da Lua, ela possui uma composição química considerada mais preocupante.
Brian Hynek, professor do Departamento de Ciências da Terra da Universidade do Colorado (EUA) e integrante do grupo de trabalho, explica ao Space.com que as partículas marcianas são mais arredondadas, mas carregam substâncias ausentes no solo lunar.
Entre elas estão percloratos, compostos químicos considerados nocivos ao organismo, além de sílica e diversos metais pesados, alguns associados ao desenvolvimento de câncer.
