A década de 2010 marcou uma das maiores transformações da história da engenharia brasileira. Até 2012, o país possuía um dos maiores parques empresariais de construção pesada do mundo. Grandes grupos nacionais executavam obras de elevada complexidade no Brasil e em quatro continentes, liderando o mercado na América Latina e competindo com empresas norte-americanas, europeias e asiáticas em projetos de infraestrutura, energia, mineração, petróleo e mobilidade.
Naquele período, as 20 maiores construtoras brasileiras registravam faturamento agregado estimado em cerca de R$ 360 bilhões (em valores atualizados para 2025) e empregavam aproximadamente 800 mil trabalhadores. Empresas como Odebrecht, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão, OAS e UTC figuravam entre as maiores construtoras do mundo, acumulando capacidade técnica, engenharia reconhecida internacionalmente e presença em mercados estratégicos.
A partir de 2014, o setor passou por uma ruptura sem precedentes. A Operação Lava Jato revelou práticas ilícitas que precisavam ser combatidas, muitas delas inseridas em um modelo de financiamento privado de campanhas que não era uma exclusividade do setor de infraestrutura, mas uma característica do sistema político brasileiro à época.
