Dois anos depois da queda do voo 2.283 da companhia aérea Voepass, em Vinhedo (SP), familiares das 62 vítimas afirmam que a conclusão do relatório da Polícia Federal (PF) representa apenas o início da busca por Justiça. Eles pedem que os 16 funcionários e ex-funcionários indiciados sejam responsabilizados criminalmente. Citam, além disso, que havia conhecimento prévio dos problemas operacionais que antecederam o acidente de 9 de agosto de 2024.
A PF indiciou 15 deles pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo e um pelo crime de falsidade ideológica. As penas podem variar de oito a 24 anos de prisão. Os investigadores apontam para responsáveis ou pessoas que contribuíram para o acidente, por ação ou negligência. Nenhum deles pode deixar o Brasil até o Ministério Público Federal (MPF) concluir a análise das investigações.
"Eles eram profissionais preparados, sabiam o que estavam fazendo sabotando a fiscalização e fazendo uma gambiarra em uma aeronave", diz Fátima Albuquerque, mãe da vítima Arianne Risso e presidente da Associação dos Familiares das Vítimas do Voo 2283. "Todos sabiam que a aeronave uma hora iria cair e correram o risco, não se importavam. Todos sabiam, menos aqueles que subiram naquela aeronave."
Representantes da associação de familiares classificaram o indiciamento como um passo importante e que dá "alívio e esperança". Para eles, a investigação revelou uma sequência de falhas que poderia ter evitado a tragédia.
