Um laudo da Polícia Federal sobre a queda do avião ATR 72-500 da Voepass, em Vinhedo, no interior de São Paulo, no dia 9 de agosto de 2024, apontou para conversas dos pilotos pouco antes do acidente. Em um dos diálogos, chegou a comparar a aeronave com o carro do filme “Se meu Fusca falasse” (1968).
O relatório reconstruiu, em detalhes, os últimos momentos do voo, que saiu de Cascavel (PR) com destino a Guarulhos (SP).
De acordo com o documento, a aeronave enfrentou o acúmulo de gelo nas asas, decorrente de falhas apresentadas no sistema de degelo. Com isso, o avião perdeu desempenho progressivamente e entrou em estol antes de cair em parafuso. O acidente resultou na morte de todos os 62 ocupantes da aeronave.
Veja os diálogos destacados no laudo
O laudo técnico destaca que a tripulação já havia enfretado problemas no voo que antecedeu o acidente. Segundo o documento, na viagem, o alerta de pane no degelo disparou oito vezes, quando os pilotos também tentaram reativar o sistema na cabine ao menos cinco vezes.
Ao pousarem, as gravações da caixa-preta registraram o alívio dos pilotos: “O gelo foi embora agora, finalmente, escutei um barulho aqui, foi o gelo que voou […] Ufa, chegamos vivos”, disse o comandante do voo.
Pouco tempo depois, o avião ATR 72-500 decolou novamente com destino a Guarulhos. O áudio da caixa-preta do avião começou a ser gravado às 14h44. Minutos depois, às 15h14, o sistema eletrônico acionou o primeiro alerta de gelo.
