O Brasil produz cada vez mais gás natural, mas isso não o tornou uma economia de gás abundante e barato. Em 2025, a média chegou a 179,2 milhões de metros cúbicos por dia. Em junho de 2026, alcançou 217,35 milhões, dos quais apenas 64,36 milhões estavam disponíveis ao mercado. A diferença alimenta a ideia de que bastaria reduzir a reinjeção para inundar o país de gás barato. A conclusão é sedutora, mas equivocada.
A maior parte do gás brasileiro é produzida no mar, associada ao petróleo e, no pré-sal, misturada a CO₂. Uma parcela é consumida nas plataformas; outra precisa ser tratada; e outra é reinjetada para manter a pressão dos reservatórios, recuperar petróleo e armazenar CO₂. Reinjeção não é desperdício. Cada campo deve ser avaliado com transparência para se saber quanto gás poderia ser vendido sem comprometer segurança e recuperação de óleo.
O mesmo realismo deve orientar o tal “Gas Release”. O instrumento reduz a concentração comercial ao obrigar um agente dominante a oferecer parte de seus volumes por mecanismos transparentes, favorecendo novos vendedores e preços competitivos. Reorganiza a venda do gás disponível. Não cria reservas ou gasodutos, nem transforma automaticamente reinjeção em oferta.
Essa distinção evita promessas que a geologia não pode cumprir. O gás offshore brasileiro exige separação no mar, remoção de contaminantes, compressão, longos dutos e processamento. Os Estados Unidos têm imensa produção terrestre e infraestrutura capilar.
