Pesquisadores conseguiram, pela primeira vez, usar inteligência artificial (IA) para projetar vírus que não existem na natureza e demonstrar que eles são capazes de se replicar.
O avanço, descrito em estudo publicado nesta quinta-feira (6) na revista Science, pode abrir caminho para novas aplicações em medicina e biotecnologia, mas também reacende preocupações sobre o uso da IA para criar agentes biológicos perigosos.
Os experimentos foram conduzidos por cientistas do Arc Institute, na Califórnia (EUA). Em vez de simplesmente reproduzir vírus já conhecidos, como ocorre em pesquisas há décadas, a equipe treinou um modelo de IA para reconhecer padrões presentes no DNA de milhões de organismos e, a partir desse aprendizado, gerar sequências genéticas inéditas.
Depois de sintetizar essas sequências em laboratório, os pesquisadores as inseriram em bactérias. Algumas delas passaram a produzir vírus nunca antes observados na natureza. Ao todo, 16 dos vírus gerados pela IA mostraram-se viáveis e conseguiram infectar outras bactérias.
“Este é um marco importante”, afirmou, ao The New York Times, Patrick Cai, biólogo sintético da Universidade de Manchester (Reino Unido), que não participou da pesquisa.
