A decisão do Fed (Federal Reserve), banco central dos Estados Unidos, de manter os juros entre 3,5% e 3,75% já era amplamente esperada pelo mercado. Ainda assim, a comunicação da autoridade monetária e as dúvidas sobre o controle da inflação aumentaram a preocupação com os próximos passos da política monetária americana
A perspectiva de juros elevados por mais tempo tendem a influenciar os mercados globais, pressionando os títulos públicos, reduzindo o apetite por ativos de maior risco e afetando investimentos em diversos países, inclusive no Brasil.
Para Bernardo Pascowitch, apresentador do Resenha do Dinheiro, o mercado não foi surpreendido pela decisão em si, mas pela falta de confiança de que a inflação retornará à meta sem um aperto monetário adicional.
“A preocupação é que a inflação continua acima de 3% e muitos investidores não estão convencidos de que ela voltará para a meta de 2% sem que seja necessário um aumento adicional dos juros”, afirma.
Segundo ele, esse receio já aparece no comportamento dos títulos públicos americanos de longo prazo.
“Os títulos públicos americanos de 20 anos (bonds) ultrapassaram 5,2% pela primeira vez desde 2007. Isso mostra que o mercado teme que o Fed esteja ficando atrás da curva no combate à inflação. Quando essa confiança diminui, os juros longos sobem e o apetite por risco cai”, acrescenta.
O mercado não para e o dinheiro não espera.
